quinta-feira, 27 de maio de 2010

Ontem seria seu aniversário 54 ou menos se contar a idade mental. Era meu garoto, era meu amigo, meu melhor ouvinte, sinto falta disso...muita. Era mais que isso, era meu espelho, suas palavras e lembranças me marcam como eternas e únicas digitais. Grande pai, grande cara. Sempre dizia que herdara tudo de ti, como sempre falou: O pinto já sai da casca com a pinta que o galo tem. Sempre nso colocando debaixo de suas asas, sempre acompanhando cada passo e mantendo o ninho aquecido com a sua ternura e sua felicidade em nos amar e demonstrar isso. Nunca tive uma pinta sua e sim uma mancha inteira. Penso na vida e como correm os dias, nove meses sem você, nove meses te trazendo em mim, no meu coração na minha memória. Nos meus dias tendo sua presença e suas palavras me guiando sempre, todos os dias vejo seu sorriso no meu porta retrato, dos seus cinquenta anos. Você tava lindo, feliz que só, tendo por perto todos que o amavam e o amam até hoje.
Toda vez que ouço essa canção de John Mayer: Stop this train, me lembro de nós. Da vida que você me ensinou a seguir e viver, independente do subir ou descer desta viagem intensa que é a vida.
Aqui vai uma interpretação pessoal, não literal dessa canção que mexe comigo.

Não, não sou daltônica, eu sei que o mundo realmente é em preto e branco, o problema é que não consegui dormir esta noite, pensando nesta viagem.
Eu não aguento a velocidade deste trem. É difícil dizer mas não quero ver meus pais partirem. Me assusta o tempo passar, eu só sou boa sendo jovem, brinco com os números e quero que tudo comece de novo. Falei com meu velho e ele disse: "Ei entenda: chegue aos 68 depois dá pra renegociar. Não pare este trem, nem por um momento mude o lugar onde está, não pense que nunca entenderá. Tenho certeza, mais a frente você vai conseguir entender que honestamente filha, nunca vai parar este trem". E então quando eu encontrar um lugar bom de verdade ou estragar tudo e chorar, ainda sim só saberei que estou trafegando no escuro. Quero que parem este trem, eu quero sair fora e voltar pra casa, eu não aguento a velocidade em que ele se move, eu sei que não posso e agora vejo que eu nunca vou parar este trem.

Te amo, paizão.

1 comentários:

Márcia Belíssima disse...

Nossa menina que coisa linda!.....Vc me comoveu muito com suas palavras....Eu já diferente de vc não tive um pai assim..Ele não morreu!...Mais é como se estivesse entende?...Um dia te conto!.. Não tenho mágoas pois já o perdoei por tudo que fez comigo e com a nossa família...Queria que minha história fosse diferente...Mais cada um tem a sua pra contar, seja boa ou não...melhor contar as boas né!...rsrs.... Tudo tem seu começo meio e fim..Assim é a nossa vida....Então vamos viver o presente mais nunca se esquecendo de alguém que foi e sempre será especial.....Bjus!!!

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