quarta-feira, 14 de abril de 2010

Minha lúcidez


Assisti a um filme brasileiro este final de semana, chamado separações,
que achei magnífico e cheio de sensibilidade. Apesar de um tanto
ortodoxo ele falava sobre seres humanos, que fazem diversas escolhas,
boas ou não tão boas, mas compreende cada fase e momento bom ou trágico
para seu próprio crescimento. Uma amiga que também assistiu ao filme não
conseguiu compreender da mesma maneira o texto que foi citado ao final
do filme. Acredito que pelas experiencias que ela já teve, sua percepção
de vida é diferente da minha - enquanto eu tento entender mais
profundamente nossa humanidade ela busca a praticidade das coisas e as
simplifica entre branco ou preto, nada se diz do cinza ou das nuances
por qual se passa entre uma cor e outra. Incrível como é que exatamente
nessas nuances que se encontram nossos sentimentos; contraditórios,
paradóxos e singulares sentimentos. E por mais que tentemos transformar
o nosso mundo simplificado em sim ou não, somos mais complexos do que
isso. Ser um ser humano é ser talvez, não é ser dúvida constante, mas
ser livre constantemente para mudar de opinião.

O texto:

O homem lúcido

O homem lúcido sabe que a vida é uma carga tamanha de acontecimentos e
emoções que nunca se entusiasma com ela, assim como não teme a morte. O
homem lúcido sabe que viver e morrer são o mesmo em matéria de valor,
posto que a Vida contém tantos sofrimentos que a sua cessação não pode
ser considerada um mal.
O homem lúcido sabe que é o equilibrista na corda bamba da existência.
Sabe que, por opção ou acidente, é possível cair no abismo, a qualquer
momento, interrompendo a sessão do circo.
Pode também o homem lúcido optar pela Vida. Aí então, ele esgotará todas
as suas possibilidades. Passeará por seu campo aberto e por suas vielas
floridas. Saberá ver a beleza em tudo. Terá amantes, amigos, ideais.
Urdirá planos e os realizará. Resistirá aos infortúnios e até as
doenças. E, se atingido por algum desses emissários, saberá suportá-los
com coragem e mansidão.
Morrerá o homem lúcido de causas naturais e em idade avançada, cercado
por filhos e netos que seguirão sua magnífica aventura. Pairará então,
sobre sua memória uma aura de bondade. Dir-se-á: aquele amou muito e fez
bem às pessoas.
A justa lei máxima da natureza obriga que a quantidade de acontecimentos
maus na vida de um homem iguale-se sempre à quantidade de acontecimentos
favoráveis. O homem lúcido que optou pela Vida, com o consentimento dos
Deuses, tem o poder magno de alterar esta lei. Na sua vida, os
acontecimentos favoráveis estarão sempre em maioria.
Esta é uma cortesia que a Natureza faz com os homens lúcidos.
texto Caldaico(*) do VI século a.C.

2 comentários:

Escritora em construção disse...

Acho seus textos geniais e irretocáveis, amiga!!

Amo-te!

Paulinha Machado disse...

Eu nunca te falei, mas também tenho um blog, hahaha.
Ele é específico pras coisas de Au Pair, mas é bom pra você poder me acompanhar enquanto eu estiver fora do Brasil... Tô te seguindo... Me segue também. Bjs

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